Era só ele chegar no portão, à tardinha, cansado do trabalho que o papagaio, enorme, verde, vermelho e velho, numa gaiola de arame, pendurada numa travessa da varanda de uma casa de madeira, feito alarme, disparava:
-Olha o Roque! Olha o Roque!
Ele ficava feliz, retribuia aquelas boas-vindas trocando a água, repondo algum alimento e fazendo um carinho rápido no recepcionista; e assim esquecia um pouco da fadiga do dia.
Depois entrava na casa, a mulher quase sempre na limpeza e arrumação, do quarto para a sala, da sala para a cozinha, etc. Casados há um bom tempo, não tinham filhos. Nem gato, nem cachorro. Só o papagaio. Que era o que mais falava naquela casa de quatro cômodos.
Uma vez, porém, não se sabe por quê, o louro não avisou quando Roque abriu o pequeno portão, aliás um pouco mais cedo do que a hora habitual. E foi naquele dia que ele flagrou sua mulher na cama com o vizinho, que era gordo e não conseguiu escapulir pela janela...
E Roque ficou só. Nem tão só, porque na prisão sempre tem alguém querendo saber do papagaio. E Roque a repetir, como se nada tivesse a ver com ele, as três palavras amargas que também usa para informar sobre o amante da ex-mulher: "Aquele já era."
Março/2009
Que triste...não supoto ver gente traída e depois a solidão,ainda mais do bichinho!!!
ResponderExcluirO papagaio acabou com a "festa" dos dois e o Roque deixou de ser...Será?!
ResponderExcluirNada fica calado sempre.
Uma crônica-humor bem legal.
Abração.
OI JAIME!
ResponderExcluirUMA CRÔNICA TRAGICÔMICA, MUITO BEM ESCRITA NOS LEVANDO DO RISO Á PENA (DO ROQUE E DO PAPAGAIO).
ABRÇS
zilanicelia.blogspot.com.br/
Click AQUI
Olá!Bom dia!
ResponderExcluirTudo bem?
(kkkk)sim...se não fosse trágico seria uma comédia...muito leve e descontraído...gostei do que li!
Obrigado pelo carinho da visita!
Boa sexta feira!
Abraços