segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

O SABIÁ E OS CHOPINS



                                              

       Ivo viu a uva. E um sabiá-do-campo também. Talvez Ivo não tenha dado a mínima importância ao que viu. Mas para o sabiá foi um grande achado. Ela (sim, é uma fêmea), tem dois filhotes. Famintos e pretos.  Será que ela não vê que eles são tão diferentes?  Não desconfia que os chopins foram ao seu ninho, deram sumiço aos seus ovos e lá deixaram os deles, para que a sabiá pensasse que nada de mais havia acontecido durante a sua ausência? Sabe-se lá! A sabiá tem a cor inocente da palha. Os chopins, a da negra esperteza. 
       E as criaturinhas pedincham. O tempo todo. Chilreando, batem as asas e o bico, não lhe dão tempo  ou trégua nem pra pensar.  E ela, pra cima e pra baixo, porque as malandrinhas - já bem crescidas,- não param de pedir: mais uva! mais uva!
       E a sabiá, outra vez, a disputar as bagas da videira com os agitados azulões, as infatigáveis abelhas, as implicantes vespas negras e outros insetos, porque a vida é isso: uma eterna luta. E um aprendizado.

                                                                   
                                                                       
                                                                    Girurá, 07/01/13.

Um comentário:

  1. Aprendizado e lição de amor. Não são filhotes, talvez ela nem saiba, mas alimenta mesmo assim.

    Feliz 2013!

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